Como cirurgião plástico, não é incomum atender a uma demanda de mulheres com desejo de operar as mamas e a genitália externa. No entanto, observamos um aumento do número de pacientes cada vez mais jovens em busca dos consultórios de cirurgiões por essas queixas, muitas vezes trata-se de adolescentes muito novas. Esse alerta fez com que o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) divulgasse uma opinião publicada este ano no periódico Obstetrics & Gynecology.

O artigo fala sobre a importância do aconselhamento de adolescentes sobre suas preocupações com as mamas e genitália externa. “Esse grupo etário pode estar sob um estresse particular quanto a estas questões por conta de conceitos sociais do corpo feminino ideal e preocupações parentais de perfeição corporal”, escreve o comitê do ACOG, liderado pela Dra. Julie Strickland, uma ginecologista obstetra de Kansas City, Missouri.

O American Society of Plastic Surgeons relatou que em 2010 ocorreram mais de 4600 cirurgias para redução da mama em pacientes do sexo feminino com idade entre 13 e 19 anos, e outro tanto submeteram-se a mastoplastias de aumento (colocação de próteses).

Não há dados específicos das cirurgias realizadas por essa faixa etária pela SBCP, mas no Censo 2015 identificou que de mais de 1.200.000 cirurgias plásticas realizadas no Brasil em 2015, 60% foram cirurgias estéticas (720.000 cirurgias). Dessas, 77.5% foram em mulheres (aproximadamente 558.000 cirurgias) e 5,7% entre os 13 e 19 anos (aproximadamente 31.800 cirurgias), o que é um número bastante considerável.

É fundamental que os profissionais que atendem essas pacientes estejam bastante familiarizados com esses aspectos. Um dos principais pontos é a educação e tranquilização da paciente.

É importante para ginecologistas e obstetras e cirurgiões plásticos envolvidos discutir o desenvolvimento sexual e a variabilidade de aparência das mamas e genitália externa. Reconhecer a capacidade das pacientes das adolescentes de tomarem suas próprias decisões de forma autônoma, assim como entender as expectativas reais delas é mister para tomada de decisão.

As quatro recomendações principais do ACOG são:

– os médicos devem adquirir um bom conhecimento sobre opções não cirúrgicas e indicações de tratamento cirúrgico;

– adolescentes precisam ser educadas sobre diferenças normais na anatomia, crescimento e desenvolvimento de mamas e genitália.

– antes de encaminhamento para cirurgia, as pacientes devem ter aconselhamento apropriado e avaliação de sua maturidade física e emocional;

– os médicos devem rastrear transtorno dismórfico corporal (TDC), e quando suspeitarem de sua presença, que pode resultar em correções cirúrgicas repetidas e não satisfatórias, eles devem encaminhar as pacientes a profissionais de saúde mental.

Como vemos, trata-se de uma preocupação real e global, e deve servir de alerta a sociedade e observada de forma especial pelos cirurgiões plásticos de todo o mundo.

 

Dr. José Amandio

Dr. José Amandio

Cirurgião Plástico

Dr. José Amandio é formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em Cirurgia Plástica. Ele é membro titular da SBCP – Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Santa Izabel. Atende em Salvador-BA e Petrolina – PE. E-mail: clinicajamandio@gmail.com

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